Artigos

29 de outubro de 2015

Um país que respira esportes

IBOPE Repucom apresenta uma inédita radiografia dos hábitos de fãs de esportes quanto ao consumo de mídia e patrocínios

O torcedor é muito mais complexo e eclético do que se imagina. Por meio do estudo Sponsorlink, o IBOPE Repucom esboçou uma radiografia desses brasileiros com valiosas informações sobre este mercado que, curiosamente, discute e coloca em cheque alguns dogmas.

O maior deles é de que o Brasil é o país do futebol. A paixão por esse esporte é visível durante os jogos da Copa do Mundo, com ruas em verde e amarelo, ou simplesmente nas peladas de final de semana, com a tradicional batalha entre os “com camisa” e os “sem camisa”. Mas, certamente podemos afirmar que o Brasil também é o país do vôlei. Atualmente, tem o maior interesse nacional: 84% demonstram algum tipo de interesse no esporte. Em segundo lugar, encontra-se o futebol de campo, com 81%.

Entretanto, quando consideramos a intensidade desse interesse, não é difícil acertar quem encabeça esse ranking. A pesquisa do IBOPE Repucom classifica como superfã a pessoa que se declara “muito interessada” por um determinado esporte e, de longe, o futebol tem o maior número de fanáticos. No universo pesquisado, 42% se enquadraram como um superfã de futebol, enquanto no vôlei a proporção é de 25%.

A principal diferença é que essa paixão vai além de um simples interesse pelo esporte. Quase metade dos superfãs de futebol vai ao estádio e 65% levariam sua família para um jogo, números bem maiores que os observados no total da população. E se engana quem pensa que este brasileiro fica apenas sentado no sofá. É considerável a relação que eles possuem com o esporte como um todo: mais de dois terços afirmam que a prática esportiva é indispensável em suas vidas – jogar bola é, disparada, a atividade favorita para 45% deles.

Existe uma protagonista chave no cotidiano do torcedor quando pensamos na maneira como tais eventos são consumidos: a televisão. Ela é soberana como o meio mais utilizado para acompanhar o futebol de campo, por 77%. Fora do horário das competições, a TV também é o principal meio para buscar informações sobre o tema: 94% da população tem o hábito de assisti-la para manter-se informada sobre seus esportes favoritos – 70%, inclusive, faz questão de sempre recorrer a ela.

Quando analisamos os superfãs de diversos esportes, notamos um comportamento bem característico: habitualmente buscam as mais diversas alternativas para acompanhar transmissões esportivas, muito mais que a média. Considerando que esses conteúdos são majoritariamente transmitidos ao vivo e que existe um forte sentimento de imediatismo, eles não veem problemas em usar o meio que estiver ao seu alcance naquele momento específico. Particularmente, para um fanático por futebol, o rádio tem uma maior relevância. Enquanto 11% da população recorre a este meio para acompanhar transmissões esportivas, entre esses superfãs o índice sobe para 17%.

Já a internet desempenha um importante papel, tanto de simultaneidade quanto de complementariedade. De acordo com o estudo, 74% costumam acessar internet enquanto assistem esportes na TV, e pelos mais diferentes devices. Mais da metade procura informações pelo notebook ou pelo desktop, e 43% recorrem à internet via celular. Nessa segunda tela, a maioria posta ou acompanha posts nas redes sociais, além de ler/escrever mensagens instantâneas. No entanto, é interessante notar como a internet também é uma ferramenta para complementar o conteúdo emitido pela TV, já que 29% acompanha resultados de outras partidas e 26% acessa sites com informações do seu time.

Boa notícia para os patrocinadores
Todo esse envolvimento dos brasileiros com suas modalidades favoritas gera oportunidades para marcas que desejam incluir o esporte em suas estratégias de comunicação. O patrocínio pode ser fator decisivo na hora da compra, e o consumidor confirma que as ações voltadas ao segmento têm, sim, impacto.

Quando pensa em Fórmula 1, por exemplo, 84% da população se lembra de alguma marca. No caso de um superfã de vôlei, 63% escolheria uma marca que patrocina um time ou um atleta, em detrimento de uma que não patrocina. Outros 56% dos superfãs de MMA gostam de se manter informados sobre as marcas que patrocinam algum esporte.

O mais interessante é que essa fase de consideração evolui para uma conversão efetiva de compra. No último ano, 57% dos entrevistados afirmaram ter comprado algum produto oficial esportivo, gastando em média R$147 – entre os superfãs de futebol, a compra chega a impressionantes 76% e o ticket médio sobe para R$155. A fama do amor às compras pode até ser das mulheres, mas quando o assunto é esporte, são os homens que adoram gastar. Quanto maior o ticket médio de gastos com produtos esportivos, maior a proporção de homens encontrada.

O estudo também coloca fim a um famoso e antigo mito do mundo dos esportes. Para 75% da população, é baixa a probabilidade deles deixarem de comprar produtos ou serviços de uma empresa que patrocina um time adversário. A realidade é que quase metade da população afirma que, na verdade, está mais propensa a gostar de uma marca por ela estar envolvida em patrocínios esportivos. Ou seja, a parceria das marcas com times e atletas só tem benefícios para ambas as partes.

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Veja também

25 de outubro de 2018

Altos índices de recall são frutos de um trabalho eficiente de ativações do patrocínio

Desde que iniciou suas operações no Brasil, em 2011, o IBOPE Repucom... [ Veja mais ]

24 de julho de 2018

Ressaca digital: O caso Neymar Pós-Copa 2018

  Todos os meninos que jogavam futebol até os anos 90 tinham os... [ Veja mais ]

27 de setembro de 2018

Patrocinar um clube de futebol pode gerar rejeição nos torcedores dos times adversários? Mito ou Fato?

  Uma preocupação que orbita a mente dos profissionais de marketing ao cogitarem... [ Veja mais ]